Um espaço comercial lisboeta lançou um concurso internacional de fotografia subordinado ao tema "PortugalidadeS" (clicar aqui para a divulgação do evento).
Para além da pertinente divulgação da iniciativa junto de quem nos lê - justificada pela necessidade de estímulos à criatividade e de realização de acontecimentos que congreguem expressões pessoais sob um desafio comum e de salutar convívio artístico - o tema em si merece reflexão.
Os promotores do concurso entenderam ser estimulante apelar ao registo fotográfico da "qualidade do que é português; sentido nacional da cultura portuguesa; carácter específico da cultura e da história de Portugal". Aludem ainda à nossa "universalidade de correr o mundo e acolher o mundo".
Que associações se podem fazer em resposta a este apelo! Desde a madeira dos cascos dos navios ao cheiro da agora banal canela, do toque rugoso dos mármores do Palácio Nacional de Mafra à loja onde ainda hoje um transmontano guarda os seus animais, Portugal é um país tão grande... Evitarei até, para poupar o leitor, ser exaustivo sobre as portugalidades da distante Goa, onde os apelidos e os afectos são de origem beirã ou algarvia mesmo que as cores e os sons da rua soem a asiático. Ou da quente Angola onde novas oportunidades crescem, a par da soberba que o excesso de dinheiro e a impreparação cultural para a adequada distribuição de riqueza trouxeram.
Curioso por saber que imagens emergirão deste desafio artístico, devo contudo dizer: como bom português que não gosta de decidir por uns em detrimento de outros e prefere que todos se dêem bem, não quereria ser júri deste concurso...
Sábado, 25 de Fevereiro de 2012
PortugalidadeS - Concurso Internacional de Fotografia
Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012
Mudar de vida...
Dois aspectos que limitam o desenvolvimento humano são a perenidade do corpo e a impossibilidade de trocarmos emoções com o Outro. Quando, por vivência das experiências que o trajecto pessoal permite, o ser humano mais se aproxima da sensatez que lhe permite avaliar com a sapiência empírica as questões que a vida lhe coloca, o seu corpo caminha num sentido progressivamente descendente até diversos desfechos como o da perda de autonomia ou da própria consciência de si.
Os erros, epifanias, lapsos, alegrias, sucessos e tristezas podem ser recordados por outros que não o protagonista da vida entretanto perdida, mas estas lembranças nunca são - nem poderiam ser - as verdadeiras. São sim meras percepções, normalmente imbuídas de raciocínio moral ligeiro e julgamento simples e sem hipótese de apelo sobre os caminhos decididos por quem viveu.

No entanto, se esta perenidade tem de acontecer para haver a natural renovação das gerações, também é verdade que se perdem conhecimentos inexplicáveis, para além de todas as palavras que os pretendam explicar.
Quando, por exemplo, se sabe que alguém deixou toda uma vida construída para iniciar um novo percurso, ao arrepio não só do que seria expectável considerando tudo o que tinha até então como até mesmo em termos das suas convicções relativamente a decisões como essa (censura, intolerância com os "desvairados", etc)... Como explicar isto, esta tão profunda convicção de que um dia tudo teve de implodir para que uma nova casa fosse construída?
Mérito seja feito a Variações: tentou fazê-lo...
"Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar"