Um espaço comercial lisboeta lançou um concurso internacional de fotografia subordinado ao tema "PortugalidadeS" (clicar aqui para a divulgação do evento).
Para além da pertinente divulgação da iniciativa junto de quem nos lê - justificada pela necessidade de estímulos à criatividade e de realização de acontecimentos que congreguem expressões pessoais sob um desafio comum e de salutar convívio artístico - o tema em si merece reflexão.
Os promotores do concurso entenderam ser estimulante apelar ao registo fotográfico da "qualidade do que é português; sentido nacional da cultura portuguesa; carácter específico da cultura e da história de Portugal". Aludem ainda à nossa "universalidade de correr o mundo e acolher o mundo".
Que associações se podem fazer em resposta a este apelo! Desde a madeira dos cascos dos navios ao cheiro da agora banal canela, do toque rugoso dos mármores do Palácio Nacional de Mafra à loja onde ainda hoje um transmontano guarda os seus animais, Portugal é um país tão grande... Evitarei até, para poupar o leitor, ser exaustivo sobre as portugalidades da distante Goa, onde os apelidos e os afectos são de origem beirã ou algarvia mesmo que as cores e os sons da rua soem a asiático. Ou da quente Angola onde novas oportunidades crescem, a par da soberba que o excesso de dinheiro e a impreparação cultural para a adequada distribuição de riqueza trouxeram.
Curioso por saber que imagens emergirão deste desafio artístico, devo contudo dizer: como bom português que não gosta de decidir por uns em detrimento de outros e prefere que todos se dêem bem, não quereria ser júri deste concurso...
Dar o salto
Há 1 semana
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