Dois aspectos que limitam o desenvolvimento humano são a perenidade do corpo e a impossibilidade de trocarmos emoções com o Outro. Quando, por vivência das experiências que o trajecto pessoal permite, o ser humano mais se aproxima da sensatez que lhe permite avaliar com a sapiência empírica as questões que a vida lhe coloca, o seu corpo caminha num sentido progressivamente descendente até diversos desfechos como o da perda de autonomia ou da própria consciência de si.
Os erros, epifanias, lapsos, alegrias, sucessos e tristezas podem ser recordados por outros que não o protagonista da vida entretanto perdida, mas estas lembranças nunca são - nem poderiam ser - as verdadeiras. São sim meras percepções, normalmente imbuídas de raciocínio moral ligeiro e julgamento simples e sem hipótese de apelo sobre os caminhos decididos por quem viveu.

No entanto, se esta perenidade tem de acontecer para haver a natural renovação das gerações, também é verdade que se perdem conhecimentos inexplicáveis, para além de todas as palavras que os pretendam explicar.
Quando, por exemplo, se sabe que alguém deixou toda uma vida construída para iniciar um novo percurso, ao arrepio não só do que seria expectável considerando tudo o que tinha até então como até mesmo em termos das suas convicções relativamente a decisões como essa (censura, intolerância com os "desvairados", etc)... Como explicar isto, esta tão profunda convicção de que um dia tudo teve de implodir para que uma nova casa fosse construída?
Mérito seja feito a Variações: tentou fazê-lo...
"Muda de vida se tu não vives satisfeito
Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar
Muda de vida, não deves viver contrafeito
Muda de vida, se há vida em ti a latejar"
0 comentários:
Enviar um comentário