No passado fim-de-semana, embrenhado na floresta pintada de caracteres que a comunicação social produziu, lia no recato do lar diversos balanços do ano que fugiu para não voltar e do ano que ainda agora nasceu e já sente as dores de amadurecimento nas carteiras dos nacionais.
Andava por ali, entre frases e sentenças de comentadores e estatísticos, quando o meu filho mais velho - 6 frondosos anos, longe de imaginar no que nos estamos todos a meter mas já sensível a alguns momentos de desânimo dos pais quando estes observam no monitor do PC os registos de débito na conta bancária - me perguntou "Pai, sabes aquela música do assim você me mata?".
Assim de repente, não sabia. "Que música é essa?", perguntei, ombros encolhidos e face estupidificada.
"Aquela que o Cristiano Ronaldo dançou no jogo!...", respondeu. Fomos ao Youtube, buscámos a música pelo vídeo do nosso futebolista galáctico, e chegámos ao Michel Teló. Um jovem brasileiro cantor do hit single mais recente, música com coreografia que anima bailes e festividades um pouco por todo o país.
Tive de confessar ao meu filho que não me tinha apercebido deste fenómeno, e muito menos de que o meu descendente já dominava os movimentos rítmicos da canção.
Enquanto mãe e filho embalaram na música, alegres pedintes de replay quando a mesma acabava, pensei para mim "Não se pode ser alegre no meio dos destroços? Já lá diziam os romanos, pão e circo animam o povo..." Lá entrei na coreografia.
Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
E não se pode ser alegre no meio dos destroços?
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