Quem andou na rua nos últimos dias de um 2011 que suspira os seus últimos ares, terá percebido algumas diferenças relativamente a anos antecedentes. Montras cheias de promoções antes do seu tempo, supermercados com imenso material para escoar, pessoas a passear por ruas e avenidas pouco alusivas à época natalícia mas... pouco consumo.
Nunca foi tão fácil aceder àquilo que se quis numa altura do ano em que, cumprindo com o seu destino de "compradores de última hora", os portugueses esvaziavam as prateleiras dos produtos da moda. Ainda no último ano passei pela pequena odisseia de tentar encontrar uma marca de brinquedo para o meu filho, com visita a 6 grandes superfícies comerciais e 3 papelarias até encontrar algo próximo do que constava na carta escrita ao senhor da Lapónia.
Um aspecto que se destacou foi o amadurecimento da publicidade de descontos, patrocinados por marcas que bombardearam os correios electrónicos com promoções incríveis. Infelizmente, demasiado... revista semanal publicou uma reportagem na qual deu conta de que tais marcas de descontos efectuam as suas promoções sem considerar a real capacidade dos "fornecedores" que com elas comtratualizam tais acções, resultando na incapacidade para dar resposta aos clientes.
Bom, se fosse pessimista diria que as repercussões deste período festivo austero (para os que consomem) e fracassado (para os que vendem) ainda estarão por vir. Mas fico-me apenas por reconhecer que não consigo prever nada do que vai ser o Natal daqui a um ano... Que seja melhor do que este, é o desejo sincero dos porreiros para todos vós!
Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011
Uma época atípica
Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
Interlúdio estatístico
O blog "Porreirices em Portugal" está no seu terceiro ano, ultrapassando a estatística inicial de duração média deste tipo de expressão comunicacional na Internet - um ano. Mantivémos uma publicação de aproximadamente 90 posts/ano, destacando-se a ultrapassagem dos 100 posts em 2011.
De uma média de aproximadamente 140 visualizações/mês (dados entre Maio de 2009 e Fevereiro de 2011), este espaço passou para uma média mensal superior a 270 visualizações/mês, crescimento que deve bastante à divulgação do blog nas redes sociais e ao passa-palavra entre leitores do mesmo.
Os nossos leitores são predominantemente de Portugal (2404 visualizações), Brasil (655 visualizações) e Estados Unidos da América (459 visualizações), mas na Alemanha (95 visualizações), Rússia (94 visualizações), Malásia (32 visualizações) e países como o Canadá também somos lidos.
Os comentários, reflexo das opiniões dos que nos visitam e motivação para a continuação desta empreitada, são já 195, os leitores dão-nos a honra de partilhar a sua sensibilidade emocional e clareza de espírito.
Em jeito de balanço, apenas nos podemos sentir animados de uma energia criativa face àquilo que para os Porreiros são alguns dos indicadores do sucesso, deste projecto que se consolida como um espaço com identidade e pluralismo.
Votos de Festas Felizes para todos os que nos acompanham, e que consigamos todos ser dignos ao ultrapassar as adversidades que surgem como temporal antecedido de nuvens que se fecham numa tarde invernosa...
Domingo, 11 de Dezembro de 2011
O advento
Até há pouco tempo quase passou despercebida a chegada do Natal, ao encontro do qual as comunidades habitualmente confluíam na ânsia do consumo. O aproximar do evento parecia ofuscado pelas notícias que fragilizam qualquer optimismo. Não há entusiasmo que sobreviva a uma situação desemprego, à miséria súbita e à negra previsão da redução dos salários disponíveis.
A angústia do caminho difícil que as famílias portuguesas estão a atravessar dificilmente se coaduna com as decorações próprias da época, também elas em regime de contenção, e parece alhear-se do tempo novo que a festividade procura celebrar.Que este seja de facto o tempo da esperança por um mundo novo que urge promover e de lembrança por outros tempos iguais ou ainda mais difíceis ultrapassados para chegarmos até aqui. Um tempo ainda mais próximo do melhor que falta vir.
Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011
A ditadura
“O supremo paradoxo é que a única solução do capitalismo está precisamente nos seus limites.” João César das Neves
“Um novo paradigma para o capitalismo passa pelo regresso da política como protagonista da gestão da sociedade.” Assunção Esteves
Recordo-me que, aquando do desmoronar da cortina de ferro, alguns comentadores prontamente referiram a necessidade de então se apontar baterias contra as vicissitudes do sistema alternativo dito capitalista. De lá para cá falava-se com frequência na necessidade de regulação dos mercados.
A verdade, porem, tal como na altura também o previram alguns analistas, é que à falência do chamado regime comunista soçobrou um alegado neo-liberalismo exacerbado como panaceia de todos os males da economia. Não era difícil prever o desfecho, apesar da aparente surpresa que acompanhou a crise actual: a submissão completa dos Estados e da política aos ditames da finança e das regras do mercado reescalonaram os valores e subverteram as prioridades.
O que se está a passar, de forma tão previsível quão imparável, é uma ameaça mas também uma oportunidade que impõe mudanças. Desde logo, o reassumir pela política do processo de liderança, agora entregue aos que se escondem e ganham por detrás da especulação financeira, mas também o assumir dos valores básicos essenciais capazes de congregar vontades, contrariar prepotências hegemónicas, enfrentar os extremismos nascentes e preservar a espécie humana.
Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
Fado
Pensando na recente eleição do fado como património imaterial da humanidade, concluí que a nossa homenagem, sendo permanente, já havia sido formalmente expressa anteriormente.
Ocorreu-me, porem, que se haveria algo que merecia tal distinção seria o próprio povo português e a sua forma própria de ser, de que o fado, nas suas diferentes modalidades é apenas uma expressão.
Calma… não se assustem, não fui invadido por qualquer sentido patriótico exacerbado e também não o digo pela nossa história, a qual tem também uma dimensão subjectiva, mas pela sua natureza intrinsecamente universal que o torna aceite em qualquer parte do mundo. Na verdade, o português tem em si qualquer coisa de imaterial verdadeiramente distintiva.
E o que há de mais valioso do que isso?!
Heróis do mar
Almoçava quando me apercebi, por entre gritos de alegria vindos da tv, da notícia do resgate dos seis sobreviventes de uma embarcação de pesca desaparecida há mais de três dias.
Com a surpresa, partilhei daquela alegria, pois ainda na véspera pressentira mais uma tragédia para a bonita terra piscatória das Caxinas que conheci tão bem. As famílias dos pescadores que aguardavam por um milagre choravam agora de alegria por saberem que os tripulantes do Virgem do Sameiro, localizados por um feliz acaso, haviam sido resgatados, com todo a competência, a 12 milhas da costa a norte do cabo Mondego.
Foi como um sinal de esperança para um povo reproduzida no sofrimento e na coragem daqueles homens há tantas horas numa pequena balsa perdida no mar alterado Fez-me pensar na eterna ligação ao mar que persiste no nosso quotidiano e no quão precioso é todo o investimento que possamos fazer para continuarmos a manter essa ligação que nos diferencia dos demais.
Sábado, 3 de Dezembro de 2011
Austeridade: a sensação de desânimo
Uma coisa é falar sobre um momento. Ler notícias e textos que surgem de todos os lados, ouvir os inúmeros economistas e ex-políticos defender soluções que não implementariam se na verdade o pudessem fazer, analisar as diferentes projecções do impacto da austeridade.
Mas outra coisa é vivê-lo. Acordar num Sábado de Dezembro para as tarefas diárias sem expectativas de passear pelas luzes natalícias de Lisboa. Conversar com a família, debruçados sobre lista de amigos e familiares para decidir quem fará parte do restrito lote de presenteados. Enfim, sentir as repercussões de uma crise para a qual não sentimos ter contribuído.
A sensação é de desânimo.