“O supremo paradoxo é que a única solução do capitalismo está precisamente nos seus limites.” João César das Neves
“Um novo paradigma para o capitalismo passa pelo regresso da política como protagonista da gestão da sociedade.” Assunção Esteves
Recordo-me que, aquando do desmoronar da cortina de ferro, alguns comentadores prontamente referiram a necessidade de então se apontar baterias contra as vicissitudes do sistema alternativo dito capitalista. De lá para cá falava-se com frequência na necessidade de regulação dos mercados.
A verdade, porem, tal como na altura também o previram alguns analistas, é que à falência do chamado regime comunista soçobrou um alegado neo-liberalismo exacerbado como panaceia de todos os males da economia. Não era difícil prever o desfecho, apesar da aparente surpresa que acompanhou a crise actual: a submissão completa dos Estados e da política aos ditames da finança e das regras do mercado reescalonaram os valores e subverteram as prioridades.
O que se está a passar, de forma tão previsível quão imparável, é uma ameaça mas também uma oportunidade que impõe mudanças. Desde logo, o reassumir pela política do processo de liderança, agora entregue aos que se escondem e ganham por detrás da especulação financeira, mas também o assumir dos valores básicos essenciais capazes de congregar vontades, contrariar prepotências hegemónicas, enfrentar os extremismos nascentes e preservar a espécie humana.
Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011
A ditadura
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