Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Mão-de-obra baratinha

Um dia, um ex-governante conhecido pela sua relativa excentricidade verbal - que bom político não tem um aspecto distintivo, como os charutos de Churchill ou o uniforme de De Gaulle? - aconselhou empresários estrangeiros a fixar-se em Portugal pelo baixo custo da qualificada mão de obra.

Indignados uniram-se em coro contra a veleidade do Ministro, "onde é que já se viu destacar o baixo custo como motivo para a captação de empresas??", sendo a maioria pertencente aos partidos da Oposição da altura.

Ora, então não é que afinal tal relação produtividade-ganho foi recentemente eleita como desígnio dos actuais governantes? Ou o que se pode chamar ao aumento de meia hora diária pelo mesmo salário, à sugestão de "desaceleração das compensações salariais" (Primeiro-Ministro dixit) e ao estudo de soluções legislativas facilitadoras dos despedimentos?

Pelo menos temos o avisado conselho dado pelo responsável pelos assuntos da Juventude nacional: saiam da "zona de conforto" e vão para outras paragens. Presume-se que a intenção será garantir que, quando os estrangeiros quiserem recrutar recursos humanos nacionais, apenas encontrem quem responda o seguinte à questão sobre quanto quer ganhar: "Pouquinho, chefe, trabalho quase de graça e com respeitinho!"

1 comentários:

indignado disse...

...tb um dos nossos mandantes da troika se descaíu com o que há muito se vinha passando e é para continuar nos próximos anos..." os portugueses têm de se habituar a uma vida mais frugal"... eu sou alentejano e se tiver acesso a umas côdeas de pão , uns coentros , 1 gota de azeite e água da chuva , tenho a minha açorda que já me conforta nestes dias tristes ,não bajulantes mas de miserável reforma que não dá para mais..."Tal está cá a moenga ?" Porreiros e até quando poderemos gritar bem alto que se deve exigir que paguem os que se encheram de mordomias à custa da fome da maioria ?