Domingo, 16 de Outubro de 2011

Orçamento 2012 - Choque moral

As recentes notícias de cortes e tesouradas orçamentais suscitam-me - ainda que não seja conhecido o documento definitivo - algumas reflexões. Comuns às de muitos, pelo que leio nos jornais e oiço nas ruas. Respeitando o espírito dos blogs, que pedem textos curtos, deixo apenas a primeira de algumas ideias.

1- Um investigador de nome "Governo" decidiu realizar uma experiência com o seu sapo "Funcionário público", para aferir as qualidades auditivas da cobaia. Cortou-lhe uma perna, chamada "recursos" (automóveis, papel, tinteiro de impressoras, computadores) e mandou SALTA!. O sapo saltou, portanto a perna foi considerada desnecessária. Cortou-lhe então outra perna, chamada "direitos e leis" (fruto de legislação aprovada no Parlamento e de dezenas de horas de negociações em sede de concertação social), e mandou SALTA!. O sapo saltou, torto e confuso pela bondade do estudo que se realizava, e o investigador concluiu pela desnecessidade da segunda perna.
O investigador cortou então o terceiro membro ao sapo, carinhosamente batizado pelo anfíbio como "dinheiro" (para subsistir, cumprir com as suas obrigações, perseguir os seus sonhos pessoais) e gritou SALTA!. O sapo, totalmente desorientado pela sistemática perda de partes e sem justificação para a motivação do investigador, deu um último impulso com a pata sobrante.
Quando o último membro ("moral pessoal e dignidade dos serviços prestados à sociedade") foi cortado, o sapo deixou de saltar.

Resultado da investigação: sapos sem pernas são definitivamente surdos, ou - teoria defendida exaustivamente pelos investigadores que dele se têm servido como bode espiatório para os males económicos do país - não querem mexer-se.

1 comentários:

Anónimo disse...

...este porreiro focou-se no sapo surdo que já não se mexia e por isso não respondia às ordens do chefe... não produzia e ainda era funcionário público. E a todos os outros que nada pagam e enchem bem o peito como os sapos para se rirem de todos nós com os seus inúmeros negócios paralelos não se poderia exterminá-los ?