O caderno principal do "Expresso" traz hoje um interessante artigo de Henrique Monteiro, sobre a viragem de Portugal. De um trajecto rumo à evolução caracterizado por novas escolas, estradas ou bibliotecas - pagos sem dinheiros resultantes de um crescimento económico sustentado - transitámos agora para um período de "degradação de equipamentos feitos para um país rico". A "escola sem dinheiro para o aquecimento, o tribunal aflito para comprar uma resma de papel, o hospital com o último grito do diagnóstico ainda empacotado".
De facto, a minha própria vida profissional se faz desta paradoxalidade: por um lado o serviço onde laboro nunca esteve tão avançado ao nível do emprego da ciência ao serviço da sua missão, mas por outro o choque entre a exigência de envolvimento dos recursos no desenvolvimento deste conhecimento e especialização colidem brutalmente com a cada vez mais evidente exiguidade de recursos e o elevado desgaste psicológico - e mesmo físico - dos recursos humanos, pressionados por todos os lados para cumprir com todas as expectativas e sem lugar para buscarem as suas próprias ilusões...
Quando, por cima do monitor, vejo os meus dois descendentes absortos na TV, não consigo deixar de me sentir profundamente angustiado pela incerteza do futuro que os aguarda na esquina da vida. Num país sem dinheiro, envididado e com ilusões carcomidas...
3 comentários:
Das interrogações aqui postas quanto ao nosso país e principalmente aos nossos filhos comungo na totalidade... em relação à não sustentação de nada que por aí se faz /fez, faz-me lembrar uma fala que tive no começo do Euro (cá)com uma senhora brasileira que acabara de chegar e se propunha cá ficar até organizar a vida...perguntei-lhe então ? é por causa da língua comum pois somos um país tão pequeno comparado com o vosso ? resposta : é que agora portugal é um país rico !...é claro que passados 3 anos, depois de ter dinheiro para a viagem regressou e afinal o el dorado não era cá...mas como foi possível tanto dinheiro a fundo perdido que começou a entrar em 85 ter se esvaido no nada (não comemos alcatrão nem arranjámos somatório para a Suiça) e no negativo e chegarmos ao fundo da ravina donde só um mágico ou um terramoto nos pode tirar ?!,...trabalhei bastante na minha vida activa mas agora nesta mísera aposentação o que posso fazer para ainda ter uma sopa e algum sono dos justos nesta noite (são 4h )em que o meu país se afundou sem retorno...
Este comentário levou-me (como as cerejas, nas conversas uma ideia puxa a outra) à recordação de um texto escrito por um funcionário diplomático inglês, que nos observou e caracterizou com acerto. Destacando idiossincracias que para nós são portugalidade comum, trouxe à tona o curioso e o frustrante dos hábitos portugueses.
Será que não conseguimos responder às nossas questões e angústias por estarmos demasiado próximos dos interessados?
Sopa e justiça no ocaso dos dias: não é pedir demais, mas não sei se - no meio de tantos grupos de pressão que exigem a continuação de regimes excepcionais - serão vozes ouvidas. E é preocupante, pois um diz também a minha voz se juntará ao coro.
...e agora Paulo com o decurso do nosso 1º não querendo culpar ninguem e trazendo este oe que melhor soa aos detratores da fp , lá se vai o país de austeridade em austeridade até ao âmago do fmi que está cá para ficar com o melhor bocado e não para ajudar, tal como não o fez nos outros países onde foi chamado. AJUDAR palavra chave deste embróglio onde ela mesma começa em cada um de nós... andei em manifs. e na faculdade abri os olhos nos tempos do fascismo mas agora olho para todos vós e para os meus que dão os cem por cento todos os dias e este distanciamento permite-me de alguma forma revisitar fora de qualquer egocentrismo o mal estar em que a maior parte dos servidores do estado se encontram de cada vez em que a degradação imposta mais se nos aperta... uma federação europeia, uma fed. à americana ou apenas o vazio da bancarrota ?...Este mistério dos bancos que ao sabor dos mercados nos vão decapitando tb ajudam as agências de rating a piorar o que já está no lixo...uma sopa chega para ir vegetando mas a minha filha com uma casa para pagar e bolseira de investigação como a posso ajudar !...Porreiros, preciso de uma sábia palavra vossa para tentar não me afundar psiquicamnte neste remoinho que me faz descer ao paroxismo donão retorno... Viva Portugal e as suas boas gentes ...
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