Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

Ano novo... problemas antigos

O ano de 2011 será crucial, segundo se ouve e lê.

As contas têm de entrar nos eixos, as medidas adicionais às que já adicionais foram (perdi-me no número de PEC's...) têm de resultar, a economia tem de melhorar - miraculosamente, face à quase ausência de políticas nacionais de estímulo ao emprego e à exportação.





O que é que fazemos quando nos vemos entre a espada (pressão dos mercados e agências de rating) e a parede (um país deprimido de gente endividada e sem perspectivas de luz ao fundo do túnel do défice)?

Pressinto que este reveillon será conhecido pelo excesso de consumo de álcool, qual anestesia social colectiva...

Bom Ano Novo desejam os Porreiros!

Terça-feira, 21 de Dezembro de 2010

Mais um Natal...

A época natalícia, quase uma mini-estação do ano dentro das estações Outono/Inverno, movimentou novamente dinheiro em valores que não cabem nos horizontes dos comuns portugueses.

Lia-se recentemente que as transacções e levantamentos na rede Multibanco superaram as expectativas do comércio receoso e dos consumidores alarmados com a austeridade que dá tom à vida laboral (ler notícia aqui)... Milhões de euros, milhares de transacções, contas bancárias que engrossam lucro e sucesso de quem vende oportunidades para uma felicidade ilusória e efémera.

Porque quando compramos um modelo de telemóvel, um gadget ou uma peça de roupa, já máquinas de marketing e publicidade oleadas congeminam a "mais recente novidade/necessidade"...que teremos - porque por mais livre-arbítrio que tenhamos somos condicionados de forma quase pavloviana - de comprar.

Para quando um progresso civilizacional que nos conduza à evolução espiritual em solidariedade com o Outro e as suas verdadeiras necessidades? Se pensarmos que há maior prazer em dar que em receber, porque é que não praticamos mais tal acto, principalmente num momento em que Dar pode ser a diferença para incontáveis vidas?

Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos os que visitam o espaço "Porreirices em Portugal"

Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

E se um dia tiver de me esconder num armário?

Recentemente tive oportunidade de ler numa revista semanal da nossa imprensa um artigo sobre o "crime grisalho". Tal artigo principiava com uma pequena história sobre um japonês que encontrava, dia após dia, cada vez menos comida no seu frigorífico. Quando lhe pareceu demasiado inusitado o fenómeno, instalou uma câmara para vigiar o electrodoméstico.
E encontrou não um ladrão mas... uma inquilina que desconhecia. Uma pequena idosa que, refugiada no armário das velharias, se alimentava diariamente da quantidade necessária de comida, por não ter onde viver nem dinheiro para subsistir.

No Japão, os estilhaços da mutação social que deixou de privilegiar a família como unidade nuclear de vivência e passou a determinar de forma fundamentalista o capitalismo como destino das pessoas e do país afectaram decisivamente as possibilidades de protecção social dos idosos. Nem as empresas os querem nem os familiares têm tempo para deles cuidar, além de que o Estado japonês não é muito social...

E acabamos com um dos países que maior esperança de vida tem sem soluções para uma enorme multidão silenciosa: milhares de pessoas despedidas por volta dos 60 anos a sobreviver sem condições mínimas até aos 90 e ainda mais. As prisões deste país já se estão a adaptar aos novos criminosos grisalhos (clique aqui para ler a notícia).

Um dia isto sucederá na Europa. E se, nessa altura, eu tiver de me esconder no armário de algum "benemérito"?

Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010

Jardim das Caldas