Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

Portugal

Ainda sob os ecos de um “cheiro bafiento a PIDE no ar” de Miguel Sousa Tavares sobre o caso das secretas, ocorreu-me que, se há 72 anos, por esta altura,  não longe dali, Portugal inaugurava a grande Exposição do Mundo Português, hoje enquanto se prepara para mais um mês de santos populares e nova incursão futebolística europeia, abre o terreiro do paço às sardinhas e legumes nacionais…

Aristides

Acabei de ler o texto sobre a sua vida….

Nascido em 1885, no seio da aristocracia rural na região centro do país, de convicções católicas e monárquicas, contrariando com coragem ordens de Lisboa, permitiu, entre 16 de 19 de Junho de 1940, a sobrevivência de mais de 30 mil refugiados que rumavam ao sudoeste de França, entre Bordeús, Bayona e Irún pra escapar à malha nazi que os perseguia.  Condenou o seu futuro e o dos seus catorze filhos.

Aristides viria a falecer em 03.04.1954, proscrito e condenado “ao mais imposto anonimato e à mais forçada pobreza” e foi condecorado postumamente pela autoridade judaica para o Holocausto, Yad Vashem, em 1966. No lote de descendentes de sobreviventes recentemente localizados de que fazem parte algumas conhecidas personalidades norte-americanas, estão os autores dos populares livros da série "Curious George", Hans and Margret Rey, e Jonah Peretti, o "guru" da Internet e co-fundador do site de informação The Huffington Post.

Nos dias que correm é bom lembrar que há gente assim…os verdadeiros imortais: anónimos que perpetuam o que de melhor a humanidade tem. Aristides faz por isso parte do património moral da humanidade.

Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

A Democracia

Será o tempo da democracia
demasiado lento para responder a crises
e demasiado curto para planear a longo prazo?
As democracias sofrem não apenas pelo seu lento tempo de reação em momentos de crise, mas também pela dificuldade que enfrentam, em projetar-se no futuro e em planear a longo prazo.
Em ambos os lados do Atlântico, os líderes políticos sabem o que devem fazer pelos seus países, mas não sabem como assegurar a sua reeleição se realmente o levarem a cabo.
Parecem estar estruturalmente condenados a uma postura de curto prazo. 

Este artigo de Dominique Moisi, resume na minha perspetiva, momento da crise atual:Será a Democracia capaz de se impor à ditadura dos mercados e à crescente escassez generalizada e dos egoísmos nacionais?

O mundo encontra-se hoje confrontado com a derradeira alternativa: ou se torna numa democracia global ou sucumbe nos escombros da degradação financeira e da ruína económica.

Crise IX

Estes últimos episódios da crise do euro, e o seu iminente desfecho, fazem lembrar-me daquela famosa cena do filme Titanic, ao grito de This is it!... de Di Caprio, colado ao casco do navio na iminência irreversível do afundamento.
O que se está a passar na Grécia, o previsível resultado do próximo ato eleitoral e a banda sonora dos comentários que têm sido proferidos sobre o mesmo levam-nos perguntar se não será agora ….

Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Crise VIII

São preocupantes as informações recentemente vindas a público em torno do caso das secretas.

Percebo que têm o sabor a ajuste de contas, mas sobretudo representam mais um sintoma grave de uma doença que urge enfrentar e um sinal flagrante do que é cada vez mais urgente e indispensável fazer…

A soberania

As recentes declarações de Christine Lagarde sobre os gregos inserem-se num conjunto mais vasto de declarações infelizes, de igual sentido, proferidas por figuras mais ou menos relevantes da cena política internacional e são profundamente reveladoras do desrespeito pelos valores da soberania que parece querer dominar as relações entre os Estados.


Têm subjacente uma sobranceria que seria lamentável, se não fosse perigosa como a História por diversas vezes o demonstrou.


É que a legítima preocupação de um controlo mais rigoroso das finanças nacionais só poderá alcançar a sua legitimação internacional na aceitação dos povos dessa necessidade e da justa repartição dos sacrifícios, caso contrário este tipo de afirmações serão apenas manifestações despudoradas de arrogância.

Terça-feira, 29 de Maio de 2012

A experiência

Numa semana confluíram ao meu conhecimento algumas histórias comuns de superficialidade e leviandade profissionais…
Já conhecia o perigo que reside no poder exercido por um incompetente, confirmei igual risco na imaturidade de quem o exerce.Se a experiência, por si só, vale o que vale, prefiro-a à inconstância da juventude!